terça-feira, 30 de março de 2010

O que sobrou do céu


Quando apontei para o mar de verde à medida em que nos aproximávamos dele, um pensamento passou pela minha cabeça. Não sei você, mas a imensidão azul que acobertava a relva vegetal viva ali perto me despertava um desejo insuportável de nunca mais voltar para casa. Havia apenas uma pequena parcela de areia entre o mar e o verde do gigantesco campo. Não fazia sentido que eu nunca estivesse ali antes. Era uma paisagem comum em fotos de sites publicitários e tão surpreendentemente incomum em minha visão crua. Nunca vira tamanha beleza natural. Sentir o gelado mar tocar meus pés parecia diferente. O Sol nunca brilhou tanto. Quis ficar por ali. Por favor, não destruam isso aqui tabém!, pensei.

quarta-feira, 24 de março de 2010

no olhar;


Com nossas mãos entrelaçadas fiquei olhando seus olhos castanhos que fitavam o pôr-do-sol. Senti naquele momento o que você não queria falar; o que estava na sua cabeça. Seus olhos cor de topázio por causa da luminosidade encaravam o horizonte e eu não tive certeza se você estava ciente de que eu estava mais concentrada em você do que em qualquer coisa que nos cercasse. Não me importei. Me aproximei, agora sentindo o cheiro de seu perfume que grudou na sua camisa e me deixou inundada de prazer. Queria dizer que te amava, mas aquele momento só permitia o silêncio de nossas vozes e a histeria de nossos pensamentos. Arfei quando me dei conta de que estava há algum tempo sem respirar, nocauteada com sua beleza. Você percebeu e se virou para me olhar. Meu coração batucava freneticamente enquanto você se aproximava e tocava meus lábios, sorrindo com o olhar.

domingo, 21 de março de 2010

pesadelo

E seu beijo era o que me fazia despertar dos meus pesadelos noturnos. Sei que te incomodava saber que desde a morte de meu pai eu não tinha mais sonhos. Como se todos eles tivessem sido levados junto com ele. A noite era um tormento ao meu ver. Você, como sempre, estava sentado ao meu lado segurando minha mão e me lançando aquele olhar que eu já conhecia. Queria poder te dizer que ficaria tudo bem. Mas não pude. Parecia um déja vù, tão real que eu ainda conseguia reviver o sereno daquela noite. Meu coração ainda disparado fez você suspirar. Me levantei e te abracei, querendo que essa noite parasse de se repetir no meu subconsciente.

quinta-feira, 18 de março de 2010

sem despedidas, sem contra-tempo


Entrei no quarto e notei algumas coisas espalhadas pela cama. Olhei no espelho e nossa foto não estava mais lá. Foi o bastante para que eu começasse a chorar. Eu sabia que ele havia ido embora. Nenhuma carta de despedida, nenhum abraço de adeus. Apenas fui deixada junto com o sentimento de perda. Eu o perdi. Perdi talvez para todo o sempre. As lágrimas não estavam se aguentando, meus olhos só conseguiam desenhar a imagem perfeita dele. Meu coração se apertava em meu peito e a dor era tanta que eu não conseguia parar de pressioná-lo. Meu amor era tamanho, que não compreendia sua falta. Minha mente já não pensava mais, me senti insana e ao mesmo tempo não me senti. Acho que morri ali.


E foi assim.

Ficar sem você.




domingo, 14 de março de 2010

'wanna rain


Terça-feira e o Sol à pino. Não encontrei nuvens por onde olhei, e com o azul que refletia nas vidraças do comércio, pude deduzir que ela não viria para me purificar. O calor invadia meus pensamentos enquanto eu me sentia delirando num desejo insuportável de refrescância. O asfalto parecia arder e meu cabelo grudava em minha pele. A sanidade já se confundia com o desejo.

quinta-feira, 11 de março de 2010

"two is better than one"


Fugi dali o mais rápido possível, mas só o que consegui concluir foi que era impossível fugir. Estava dentro de mim. Tentei lembrar de algúma fórmula algébrica que fosse capaz de se encaixar nessa equação. Mas novamente, o que consegui concluir, foi que o único cálculo que funcionaria seria de adição.